Modernidade e o risco de obesidade: por que está difícil ser magro e a culpa não é sua.

Modernidade e o risco de obesidade: por que está difícil ser magro e a culpa não é sua.

8 de julho de 2015

Hoje faremos uma viagem no tempo. Muito do que falaremos aqui pode parecer senso comum, mas sabe quando a coisa é tão comum, que simplesmente sequer lembramos que ela existe, mas ela está lá causando problemas. Por isso é importante não só conhecer, como ter sempre em mente.

Quando do surgimento da humanidade, os homens precisavam basicamente caçar para ter o que comer. Desta forma, eram basicamente nômades, vivam onde estava a caça e comiam quando podiam. Nem sempre a caça estava disponível, então o hábito era comer sempre que possível. Guarde essa informação pois ela voltará mais à frente.

Vieram então dois passos importantes para a humanidade: A domesticação de alguns animais, que levou à pecuária, e o surgimento da agricultura. Isto melhorou o acesso dos homens a alimentos, e permitiu que eles fixassem residência em algum lugar. Porém, eram primitivos, e estavam expostos a pragas que destruiam as colheitas, e também a doenças no rebanho. Aqui, apesar da melhora, ainda faltava comida, então comia-se sempre que possível.

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E esta situação continuou assim por milhares de anos. Eles viviam com uma certa falta de alimentos, e por todo esse período, os seres humanos se acostumaram a comer o que tinham ao alcance. Hábitos que permanecem por gerações e gerações, levam um bom tempo para serem perdidos. Além do óbvio aspecto cultural, há uma explicação biológica para isso: O nosso DNA possui inúmeros segmentos que não estão ativos, e que podem ser ativados por circunstâncias externas. Se você nunca ouviu falar disso, trata-se da epigenética.

Um exemplo de como isso funcionaria: um estudo feito em mulheres grávidas demonstrou que, quando elas sofriam algum tipo de abuso durante a gestação, ou seja, ligado ao estresse, seus bebês tinham uma chance consideravelmente maior de sofrer uma metilação nos seus genes receptores para corticóides, que então passavam a apresentar uma resposta modificada a condições de estresse, o que em última análise, deixava as crianças mais suscetíveis à condições de ansiedade. O estudo encontra-se neste link: http://www.nature.com/tp/journal/v1/n7/full/tp201121a.html

E assim, certos traços de personalidade que se formaram com as gerações passadas podem, sim, serem transmitidas para os descendentes. E isso terá importância crucial com o que vem agora: O ponto da virada a respeito de produção de alimentos.

Vieram, então, os séculos XIX e especialmente, XX, e todo o progresso tecnológico. Na agricultura, a descoberta de técnicas modernas de cultivo, irrigação e controle de pragas, levou a safras cada vez maiores de alimentos. Também a pecuária teve sua eficácia aumentada. A industrialização chegou ao mundo dos alimentos, possibilitando um melhor armazenamento e conservação por longos períodos. Outra descoberta que fez diferença foi a dos chamados xaropes de glicose, que são a base para a produção de muitos dos alimentos atuais (especialmente aqueles que você não deve comer), e são uma “bomba” de calorias. Calorias vazias, diga-se de passagem.

O resultado disso tudo, é que pela primeira vez na história da humanidade, começou a ocorrer uma abundância de alimentos e calorias disponíveis.

As novas tecnologias e a obesidade

 

tecnologias e obesidade

Novas tecnologias podem nos levar à obesidade.

A tecnologia trouxe outras coisas, agora falando de cotidiano:

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  1. Novas formas de entretenimento, especialmente televisão e computadores;
  2. Facilidades de transporte, principalmente os automóveis, e porque não, os elevadores;
  3. Enquanto nossos antepassados precisavam andar longas distâncias e subir escadas, podemos dirigir e apertar botões, apenas;
  4. Enquanto eles precisavam plantar e colher, suando, podemos ir ao mercado;
  5. Enquanto eles tinham que sair para se divertir, correndo, nadando, etc, nós precisamos apenas ligar a televisão ou acessar a internet.
  6. O próprio ato de cozinhar foi “terceirizado”, digamos assim. Quem cozinha muito sabe o quão cansativo uma jornada na cozinha pode ser.

O resultado prático disso é que gastamos muito menos energia que nossos antepassados.

Agora… Você se lembra do hábito de milênios, enraizado em nossas mentes, de comer, de fugir da fome? Isto não vai passar num estalar de dedos. Está na mente da maioria da população do planeta. E pra piorar… temos alimentos em abundância!

Vivemos também em uma cultura onde muita coisa envolve a presença de comida. Por exemplo, qual a primeira coisa que vem à sua cabeça quando te sugerem organizar uma festa? Boas chances de ser relacionado à comida e bebida. Também somos ensinados desde pequenos a não desperdiçar comida, a raspar sempre o prato, mas para pensar, será que era realmente necessário, em termos nutricionais, comer aquele restinho?

Os pratos que nos são servidos estão cada vez maiores, ou seja, cabe mais comida ali. O próprio ato de comer é visto como uma celebração familiar, onde as pessoas reunem-se à mesa para fazer a refeição e também passar uma hora agradável. Daí para associar comida com bons sentimentos é um pulo. E nós tendemos a buscar o que nos causa bons sentimentos, mais e mais.

Sabendo disso tudo, não é de se surpreender que os níveis de obesidade dispararam desde a metade do século XX. Ainda mais quando , ao tentar combater esse mal, cometeu-se um erro grave, que foi a demonização das gorduras. Isso deu mais espaço para carboidratos ruins, que disparam seus níveis de insulina e promovem não só o acúmulo de gordura, como a falta de saciedade, e aí só piora o problema. Mas isso é assunto para outra ocasião.

Cada vez mais vive-se para comer, e não come-se para viver. O paradoxal é que nós nascemos programados para fazer a coisa certa de forma instintiva. Basta pensar em como um bebê lida com sua alimentação. Quando está com fome, ele simplesmente chora porque quer comer. E quando está satisfeito, para. Bebês não “beliscam” ou fazem outras besteiras que nós adultos fazemos em matéria de alimentação.

E de alguma forma, todo o meio que nos cerca acaba anulando o efeito desse instinto quando o bebê cresce e passa a ser influenciado por toda essa conjunção de fatores sócio-culturais.

Nós esperamos que, com todas as informações aqui passadas, você pelo menos tome consciência que, se não se cuidar, pode cair nessa “armadilha” que o mundo moderno oferece. Até porque tudo o que foi descrito nesse texto não passa do que chamamos de “normal”, hoje em dia.

Para pensar: será que algo “normal” assim, que leva a consequências catastróficas, pode mesmo ser considerado de fato normal?

Descubra quais são os 7 alimentos que parecem saudáveis, mas que na realidade não são.

Sim, eu quero.

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  1. Muito curiosa esperando

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