Cortisol na dieta cetogênica

Cortisol na dieta cetogênica

7 de Maio de 2018

Um dos mitos que aparecem no mundo low carb vem da má compreensão do papel do cortisol na dieta cetogênica – o “hormônio do estresse”.

Um dos argumentos por trás desse mito consiste na ideia de que, para ativar a gliconeogênese (para produzir glicose vinda da proteína), o cortisol extra deve ser recrutado.

Isso é apenas factualmente incorreto, como mostrarei aqui.

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O outro argumento, que abordamos aqui, é mais complexo.

Como o mito do cortisol anterior, envolve uma cadeia de raciocínio falho.

 

Cortisol na dieta cetogênica – o mito

cortisol na dieta cetogênica

É ou não é?

 

Aqui estão os passos:

1- Dietas cetogênicas podem aumentar certas medidas de cortisol.

2- O cortisol cronicamente elevado está correlacionado com a síndrome metabólica e, portanto, as medidas mais elevadas de cortisol podem indicar o aparecimento da síndrome metabólica.

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3- Portanto, dietas cetogênicas podem causar síndrome metabólica.

 

A síndrome metabólica é um problema terrível e prevalente atualmente.

É o aglomerado de sintomas mais fortemente identificado com diabetes – excesso de gordura abdominal, açúcar elevado no sangue e um perfil específico de colesterol -, mas também está correlacionado com outras condições que ameaçam a vida, como doenças cardíacas e câncer.

Vamos entender aqui algumas das especificidades do metabolismo do cortisol.

Mostraremos como esse argumento é vago e como isso leva à conclusão oposta.

 

Por que a confusão sobre o cortisol na dieta cetogênica

cortisol na dieta cetogênica

Olá, eu sou o pivô da confusão

 

A confusão pode se originar da incompreensão de um fato importante: diferentes medidas de cortisol não são equivalentes.

Primeiro, porém, há uma razão importante pela qual o argumento não faz sentido.

Nós já sabemos que uma dieta cetogênica efetivamente trata a síndrome metabólica.

Como descreveremos a seguir, verifica-se que certos padrões de cortisol estão fortemente ligados à síndrome metabólica e podem até ser uma causa da síndrome metabólica.

Se o padrão de cortisol que se desenvolve em resposta a uma dieta cetogênica fosse do tipo associado à síndrome metabólica, então seria de esperar que as pessoas em dietas cetogênicas mostrassem sinais de ganho de gordura abdominal, aumento de açúcar no sangue e piora no perfil de colesterol, mas vemos o contrário.

Isso por si só torna altamente improvável que as dietas cetogênicas aumentem o cortisol de maneira prejudicial.

Em outras palavras, como a regulação do cortisol está tão profundamente ligada à síndrome metabólica, o fato de as dietas cetogênicas reverterem os sintomas da síndrome metabólica é, em si, uma forte evidência de que elas melhoram o metabolismo do cortisol.

 

Em resumo

 

– Existem muitas medidas diferentes de cortisol, porque os pesquisadores identificaram muitos processos diferentes no metabolismo do cortisol.

– Aumentos em algumas dessas medidas estão consistentemente ligados à síndrome metabólica, e outros não.

– Alguns pesquisadores acreditam que a desregulação do cortisol é um fator subjacente fundamental na síndrome metabólica.

– A base desta ligação pode ser a atividade de uma enzima, 11β-HSD1. Ela converte da forma inativa cortisona para o cortisol ativo.

– Em uma síndrome metabólica, 11β-HSD1 é subativa no tecido do fígado e hiperativa no tecido adiposo. Isso resulta em uma alta taxa de liberação de cortisol e baixa taxa de regeneração.

Esses sintomas de desregulação do cortisol associados à síndrome metabólica foram revertidos por uma dieta cetogênica em um estudo que realizou as medições necessárias.

Uma dieta cetogênica aumenta o cortisol?

 

Em um estudo amplamente citado do Hospital Infantil de Boston, afiliado a Harvard, publicado no Journal of American Medical Association, três dietas diferentes foram testadas: uma dieta com baixo teor de gordura, uma dieta pobre em carboidratos e uma dieta com baixo índice glicêmico.

O estudo mostrou que as diferentes dietas tiveram efeitos metabólicos substancialmente diferentes, com a dieta pobre em carboidratos tendo os melhores resultados.

Para nossa surpresa, os pesquisadores então recomendaram a dieta de baixo índice glicêmico.

Como explicaram no comunicado à imprensa: “A dieta com muito pouco carboidrato produziu as maiores melhorias no metabolismo, mas com uma importante ressalva: essa dieta aumentou os níveis de cortisol dos participantes, o que pode levar à resistência à insulina e doenças cardiovasculares”.

O Hospital Infantil de Boston, em seguida, passou a produzir um gráfico aconselhando os pacientes a seguirem a dieta de baixo índice glicêmico, e dando isso como a principal razão para não escolher a dieta baixa em carboidratos.

Os níveis de cortisol são uma preocupação compreensível, porque o cortisol urinário alto tem sido epidemiologicamente associado a um risco muito maior de morte por ataques cardíacos

 

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No entanto, como uma dieta cetogênica trata eficazmente a síndrome metabólica, devemos esperar que ela também reduza os padrões específicos de cortisol que estão associados à síndrome metabólica (e, portanto, doença cardíaca).

Como mostramos abaixo, isso foi, de fato, encontrado.

 

Como o cortisol está associado à síndrome metabólica?

 

cortisol na dieta cetogênica

Sindrome metabólica te deixa mais ou menos assim

Assim como medir o colesterol total de um indivíduo sem olhar para seus componentes é inadequado para avaliar a saúde cardiovascular, há diferentes maneiras de medir o cortisol, e apenas padrões específicos de medidas são encontrados na síndrome metabólica.

O cortisol pode ser medido em fluidos, como urina, saliva ou sangue.

Dentro desses fluidos, a quantidade de cortisol livre pode ser medida, mas também a cortisona, a forma inativa, ou os metabólitos que são o resultado da ação da enzima, e as proporções de qualquer uma delas para as outras também podem ser medidas.

Além disso, essas medidas têm um ritmo diurno (circadiano), sendo maiores e menores em diferentes momentos do dia.

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O ritmo circadiano do cortisol

A enzima 11β-hidroxiesteróide desidrogenase (11β-HSD) pode converter entre o cortisol e a cortisona em ambos os sentidos, ou seja, de cortisol para cortisona e de cortisona para cortisol.

O 11β-HSD1 – um subtipo de 11β-HSD – converte a cortisona em cortisol.

Quando a cortisona inativa é convertida no cortisol ativo, isso é chamado de regeneração.

As outras enzimas envolvidas neste metabolismo quebram a cortisona ou o cortisol em metabólitos.

Esse processo é chamado de clearance (algo como limpeza ou depuração).

Acontece que as medições dessas enzimas são importantes para avaliar o metabolismo do cortisol.

E aí chegamos ao ponto chave: O perfil de cortisol que tem sido associado à síndrome metabólica inclui as seguintes características:

– Altas taxas de produção de cortisol

– Altas taxas de depuração de cortisol

– Alta expressão de 11β-HSD1 em células adiposas e baixa expressão de 11β-HSD1 no fígado, que determina quando e onde o cortisol é regenerado.

 

Da mesma forma que a medição do colesterol total está correlacionada com doença cardíaca, mas apenas porque é aproximadamente correlacionada com outras medidas mais informativas de colesterol, a mensuração do cortisol urinário de 24 horas pode ser uma pista para a produção ou depuração, mas ainda assim fraca.

Os níveis de cortisol são afetados pela produção, mas também são afetados pela regeneração e depuração.

Em outras palavras, se a regeneração fosse aumentada, ou a depuração diminuísse, os níveis poderiam subir mesmo se a produção permanecesse igual ou diminuísse.

Isso significa que os níveis absolutos de cortisol podem ser semelhantes, mesmo quando o metabolismo do cortisol é muito diferente.

A implicação para quem depende a hipótese da “fadiga adrenal”: se você mede o seu cortisol, e é alto, você não pode concluir que suas glândulas supra-renais estão funcionando de forma correspondente.

Poderia ser devido ao aumento da regeneração e redução da depuração pela atividade enzimática.

Imagine que suas supra renais estão produzindo um pouco menos de cortisol, mas este está sendo regenerado em uma alta taxa, e a depuração está lenta, de forma que um nível elevado de cortisol poderia realmente significar que as glândulas supra-renais estão trabalhando menos!

Veja só!

Na obesidade em si, parece que a produção sobe para compensar a alta depuração e a regeneração prejudicada, embora às vezes não seja suficiente para compensar; o cortisol sangüíneo é, às vezes, mais baixo em indivíduos obesos.

 

Como uma dieta cetogênica afeta as medidas relevantes de cortisol?

 

Em um estudo, pesquisadores colocaram homens obesos em dieta rica em gordura / baixa em carboidratos (gordura 66%, carboidrato 4%) ou moderada em gordura / moderada em carboidratos (gordura 35%, carboidrato 35%) ad libitum (leia-se comer tanto quanto eles queriam).

Note-se que ambas as dietas tinham o mesmo percentual de proteína, e ambos eram mais baixos em carboidratos do que uma dieta padrão americana, mas apenas a dieta rica em gordura / baixo teor de carboidratos estava em níveis cetogenicamente baixos.

Para o grupo com alto teor de gordura / baixo teor de carboidratos, “o padrão da síndrome metabólica” foi revertido: o cortisol no sangue aumentou, a depuração diminuiu e a regeneração aumentou.

Isto foi aparentemente devido a um aumento da atividade de 11β-HSD1 no figado.

Essa reversão não aconteceu no grupo de moderada-gordura / moderado-carboidrato, apesar de terem perdido uma quantidade semelhante de peso.

Assim, a dieta cetogênica realmente melhorou o perfil de cortisol dos participantes, tornando-a menos semelhante ao perfil de cortisol observado na síndrome metabólica.

Concluindo sobre cortisol na dieta cetogênica

 

Existem algumas razões para acreditar que a desregulação do cortisol é um fator subjacente fundamental na síndrome metabólica.

A desregulação tem um padrão particular que parece ser causado por uma expressão específica do tecido da enzima 11β-HSD1.

Há uma crença, entre alguns pesquisadores, de que as dietas cetogênicas agravam o metabolismo do cortisol (o que poderia levar à síndrome metabólica e doenças cardíacas), mas um exame do padrão específico do metabolismo do cortisol relacionado ao sistema metabólico mostra o contrário.

Isto é o que deveria ser esperado em em primeiro lugar, uma vez que as dietas cetogênicas já demonstraram melhorar a sensibilidade à insulina (o sintoma definidor da síndrome metabólica) em repetidos ensaios clínicos randomizados.

Um mecanismo pelo qual a dieta cetogênica melhora a síndrome metabólica pode ser seu efeito benéfico no metabolismo do cortisol.

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Tiro certo para aumentar o cortisol

Nota: Níveis crônicos de estresse vão atuar no metabolismo do cortisol, prejudicando seu emagrecimento, mas isso já é outro assunto e não invalida os benefícios da cetogênica quanto ao cortisol.

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