Dieta da proteína: por que você não vai aguentar muito tempo

Dieta da proteína: por que você não vai aguentar muito tempo

10 de setembro de 2015

Hoje vamos falar sobre uma das dietas mais comuns adotadas por quem quer buscar o sonhado emagrecimento. Nos referimos à dieta da proteína. Sempre é útil um pouco mais de informação, especialmente porque sabemos que toda “dieta” tem seus riscos e benefícios.

O que é a dieta da proteína?

Popularizada pela mídia, alguns bodybuilders e pessoas que desejam perder peso sem se preocupar com saúde, a principal característica dessa dieta é que os alimentos ricos em proteínas são a principal fonte de energia na alimentação.

Um aspecto importante é que trata-se de uma dieta restritiva, em especial quanto a carboidratos. Os principais alimentos consumidos são carnes, vegetais folhosos e produtos lácteos.

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Por que a dieta da proteína emagrece e outras vantagens.

dieta da proteína

O efeito de restrição da calórica, somado com o uso de processos pesados para o corpo e o tempo de digestão fazem com que a dieta da proteína emagreça. Mas a que preço?

Com a alta ingestão de proteínas o organismo, além de utilizar os aminoácidos (obtidos da quebra das proteínas) para recuperar a musculatura e outras funções corporais, começa a utilizá-lo para gerar glicose e prover energia para o corpo. Esse é um processo bastante pesado para o corpo e, somado com a restrição calórica você acaba perdendo peso.

Com um aporte aumentado de proteínas, aqueles que também praticam atividade física podem ganhar mais massa muscular, o que no final das contas aumenta o metabolismo e facilita ainda mais o emagrecimento.

E uma terceira vantagem é que proteínas levam mais tempo para serem digeridas. Isso acaba fazendo você sentir menos fome ao longo do dia, aumentando a saciedade.

Como já sabemos, um dos motivos pelos quais a dieta da proteína emagrece é o baixo consumo de carboidratos. Estes acabariam disparando os níveis de insulina, que em última análise, leva ao acúmulo de gordura. Sem o estímulo dos carboidratos, o que ocorre é o oposto. Vale lembrar que proteínas possuem alguma ação insulinêmica, e inclusive um dos pilares do emagrecimento numa dieta com baixo teor de carboidratos e alto de gordura, é a ingesta moderada de proteína. Uma ingesta proteica excessiva é capaz de tirar você do estado de cetose provocado por este tipo de dieta, sabotando os resultados.

Perigos e por que não recomendamos a dieta da proteína.

Para começar, a dieta da proteína é bastante restritiva. Como sempre frisamos aqui no Comece a Emagrecer, você tem determinados hábitos, e começar uma dieta restritiva acaba fazendo com que você suprima hábitos alimentares que são naturais naquele momento. Isso acaba gerando stress e todo tipo de tentação, reduzindo a adesão à dieta, e claro, a chance de falhas.

A dificuldade em levar a dieta adiante é outro ponto. Isso porque proteínas são nutrientes extremamente saciantes, ou seja, matam toda e qualquer fome. O exemplo clássico disso é algo que ocorre com muitos fisiculturistas, que precisam de proteínas em abundância para desenvolver sua musculatura. Pergunte a qualquer um deles se é fácil comer diariamente uma quantidade absurda de proteínas, e eles lhe contarão o sacrifício que isso representa. Você sabe que precisa se empanturrar daquela proteína, mas seu corpo está literalmente “pedindo arrego”, e você se sente mais ou menos como um ganso em processo de alimentação forçada.

Outro ponto é a baixa sustentabilidade a longo prazo de uma dieta tão restritiva, o que pode fazer você retornar aos hábitos antigos, e consequentemente, ao peso anterior.

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As dietas restritivas focam apenas nos resultados quanto ao peso e tendem a ser de curto prazo. Elas não te preparam para a real mudança que é necessária. Daí você altera seus comportamentos por um curto período, atinge os resultados e a pergunta é, o que vai acontecer agora? Resposta: você vai ficar louco para retornar aos antigos hábitos, ou seja, comer igual antes. É a sua zona de conforto, a sua programação básica, e nenhuma dieta de curto prazo vai mudar isso, ainda mais se isso te causou sofrimento – você quer mais é que isso acabe logo para relaxar. Já viu como isso vai acabar, não?

Além disso, o excesso de proteínas na dieta pode causar uma sobrecarga nos rins e no fígado. Vale lembrar que estes problemas são de certa forma raros, mais comuns em quem já tem alguma predisposição. O difícil é saber se você tem ou não.

No campo dos estudos, diversos encontraram associações entre doenças renais e excesso de proteínas na dieta. Um deles sugeriu relação entre uma ingesta elevada de proteínas e o câncer de próstata, e um estudo realizado no Japão explorou a associação entre o diabetes e a proteína.

Um estudo realizado pela Universidade de Granada, na Espanha, demonstrou que uma dieta altamente proteica em ratos, aumentou o risco de pedras e outras doenças nos rins. Os cientistas alimentaram 10 ratos com uma dieta 45% proteica, enquanto um grupo controle com 10 outros ratos foram alimentados com níveis normais de proteínas. Os ratos foram colocados nessa dieta por 12 semanas, o que equivale a mais ou menos 9 anos em humanos.

Ao longo das 12 semanas, os ratos com ingesta proteica elevada perderam 10% do peso corporal. Mas o peso dos rins nesses ratos aumentou em 22%, os vasos capilares que filtram o sangue nos rins aumentaram em tamanho 13%, e o colágeno em volta dos capilares em 32%. Os níveis de citrato na urina dos ratos era 88% menor e o pH 15% mais ácido. Baixos níveis de citrato na urina e rins inchados são fatores de risco para formação de cálculos renais (as famosas pedras). A acidificação do pH é também um sintoma de falência renal e acidose tubular renal, entre outras doenças.

Estudos realizados em humanos também observaram resultados muito similares em plasma e urina aos que foram observados em ratos. No entanto, isso não deve ser motivo de alarma. Isto apenas mostrou um perfil renal menos favorável, o que poderia trazer a longo prazo complicações em alguns indivíduos mais suscetíveis,  ou um risco aumentado de doença renal.

 

Os adeptos da dieta também ficam expostos a quadros de tonturas, fraqueza e desmaios, e frequentemente são acometidos por constipação intestinal devido ao baixo consumo de fibras. Se você já tem problemas de prisão de ventre, é melhor evitar esta dieta. Outros efeitos colaterais são o mau hálito, e às vezes, desidratação. A restrição imposta pela dieta também pode causar algum déficit nutricional.

Conclusão

A dieta da proteína parece ser uma alternativa razoável no curto prazo. Apesar dos benefícios citados, os riscos são elevados, e nunca deve-se seguir esta dieta por muito tempo.

Se considerarmos ainda os problemas de sustentabilidade da dieta a longo prazo, e o risco de recuperar o peso ao final da dieta, então é mais um motivo pelo qual não a recomendamos.

No geral, a melhor estratégia é sempre uma mudança de hábito sustentável, através de reeducação alimentar, e prática de atividades físicas. Desta forma, seus novos hábitos não só emagrecerão, como manterão você magra.

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